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A apropriação dos animais por parte da ciência começou muito cedo. A natureza curiosa do espírito humano desencadeou desde sempre uma enorme vontade de aprender mais e de fazer novas e grandes descobertas acerca do mundo vivo no qual o homem habita.

Assim, já na Idade Média, aqueles que se intitulavam praticantes de alquimia tomavam como objecto de experimentação animais vivos sem tomarem em consideração os seus interesses.

Os tempos avançam e chegamos à época renascentista, fortemente marcada pela grande alteração na consideração da posição do homem no universo, pela negação dos grandes dogmas religiosos, pela procura de novas respostas para a justificação da nossa existência e uma que não fosse por obra de Deus. Esta busca fez enaltecer ainda mais a curiosidade humana e o campo científico voltou a desenvolver-se.

Descartes, filósofo e matemático, desenvolveu as primeiras experimentações do Renascimento. Uma bem conhecida foi aquela que é pioneira na observação do sistema circulatório de um mamífero: fixou um cão numa tábua em posição vertical e dissecou-o na zona do pescoço até ao abdómen para fazer a observação, isto com o animal vivo e sem ministrar qualquer tipo de substância anestesiante.

ImageNa sua consideração, os animais não eram mais do que meros objectos: a designação que o próprio deu foi que se assemelhavam a relógios e que os gemidos emitidos durante o processo eram, pois, como os das molas do relógio a soltarem-se. Ignorava por completo a senciência do animal.



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