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Página 2 de 2 O que na verdade se descobriu foi que os animais possuem também uma estrutura fisiológica complexa e que, tal como os humanos, devem ter a capacidade de sentir dor e, apesar de muitos continuarem cépticos, alguns contemporâneos de Descartes opuseram-se firmemente a estas práticas.
Hoje em dia, a vivissecção é ainda o principal processo de fazer qualquer tipo de investigação relacionada com a fisiologia humana. Testamos os produtos que consumimos: cosméticos e produtos de higiene, produtos alimentares, medicamentos, desinfectantes, etc. Testamos a nível somático em busca da cura para o cancro, diabetes, o HIV… Testamos…e os resultados continuam sem aparecer.
Estatísticas indicam que, num século de experimentação animal, os contributos para a medicina garantiram uma melhoria de apenas 3%. Isto tem uma explicação bastante simples e já conhecida dos investigadores: o corpo humano pode ter parecenças a nível estrutural e orgânico, como resultado de evolução convergente com determinadas espécies de mamíferos, mas a nível celular, genético e bioquímico a discrepância é grande e perfeitamente conhecida.
Então, por que continuar, por exemplo, a curar cancro em ratos? A falha na cura das doenças pela medicina tradicional é propositada porque os interesses económicos por detrás da indústria dos fármacos são incalculáveis. Interessa manter as pessoas doentes para que a demanda de medicamentos não cesse e os lucros fluam. Se nos propuséssemos a testar em voluntários humanos, pois temos gente para o fazer, por exemplo no que diz respeito ao HIV, teríamos muito provavelmente dado passos muito mais importantes.
Continuamos a apelar ao conceito moral da santidade da vida humana e impedimos pessoas de se voluntariarem para estes processos e, assim, o massacre de animais continua.
Temos métodos eficazes de testar a nível de cultura de células e órgãos in vitro; somos capazes de desenvolver tecidos artificiais, podemos fazer estudos em cadáveres humanos, simulações computacionais e estudos epidemiológicos nas populações. No entanto, estes ou são caros ou desapropriados para elaborar extensos relatórios que justificam investimentos e carreiras.
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