A experimentação com animais consiste em realizar experiências cientificas em cobaias não-humanas, nas áreas da indústria farmacêutica, militar, alimentar e na Psicologia. O objectivo é testar produtos de higiene, químicos, medicamentos, entre outros, em animais para que os humanos os possam utilizar sem perigo para a saúde.
 | A experimentação com animais na indústria farmacêutica, especificamente a área que se destina a criar produtos cosméticos e de higiene diária, explora e expõe milhares de animais inocentes a testes de crueldade extrema, a fim de satisfazer as necessidades fúteis dos seres humanos. |
Será justo e correcto sacrificarem-se coelhos, gatos, ratos ou macacos para se testar um novo cosmético com vista a retardar o envelhecimento?
Hoje em dia, existem imensos ingredientes conhecidos como inofensivos. Não serão estes suficientes para satisfazer a nossa vaidade fútil?
A resposta é obviamente positiva. A consequência seria simplesmente a diminuição da quantidade de novos produtos. E não será isto benéfico, dado o excedente de produtos cosméticos a que se assiste?
Os cientistas que experimentam com animais utilizam-nos como se estes se tratassem de objectos, sem sentimentos de dor, tristeza, etc. E como sabemos, isto é totalmente errado! Basta olharmos para o nosso cão ou gato que temos em casa... nós sabemos perfeitamente que eles sentem dor se lhes batermos; eles sentem tristeza se os deixamos sós, eles sentem alegria quando os acariciamos... os animais têm o direito de viver livremente e sem serem massacrados em nome dos nossos interesses.
Como sabemos, por motivos de ordem ética, são mais facilmente condenáveis as experiências em animais com fins cosméticos e fúteis, do que as levadas a cabo com fins médicos, que, supostamente, podem salvar vidas humanas.
Qual é então a validade prática e ética destas experiências em animais?
A maioria das experiências realizadas nos laboratórios de hoje em dia são meros exercícios escolásticos sem validade prática, pois os animais são diferentes dos humanos.
Está provado que “testes como o LD50, os testes oculares de Draize, as experiências com radiação, as experiências dos efeitos de calor (…) teriam revelado mais sobre as reacções humanas à situação experimental se tivessem sido realizadas em humanos com lesões cerebrais graves, em vez de cães ou coelhos.” (in Peter Singer,
Libertação Animal)
Em inúmeros casos, os resultados positivos de testes toxicológicos em animais, revelaram-se negativos em humanos. No passado e no presente (veja-se o caso do VIOXX), várias drogas foram introduzidas no mercado como sendo seguras após testes em animais, mas que se revelaram altamente perigosas, levando à morte dos humanos que as ingeriram.
Assim se pode concluir que os testes animais, sabemos hoje, são falíveis e cientificamente pouco fiáveis. “Frequentemente, os estudos com animais provam pouco ou nada, sendo muito difícil relacioná-los com os humanos”. (idem)
Impõe-se agora a questão: o que fazer para abolir a experimentação em animais?
A Carta Internacional para a Saúde Humanitária, elaborada pela Associação Internacional contra Experiências Dolorosas em Animais (à qual a Liga Portuguesa dos Direitos do Animal pertence) vem assim propor:
“1. Ênfase na prevenção da doença;2. Uma política de drogas essenciais restringindo os novos medicamentos a áreas terapêuticas de verdadeira necessidade, evitando-se assim a produção de drogas duplicadas para as quais não há justificação médica.3. Pesquisa médica a ser apoiada em métodos directamente relevantes para as pessoas.4. Ensino médico a ser concentrado no estudo dos seres humanos.5. Uma viragem para sistemas de ensaio sem animais a fim de melhorar a segurança dos medicamentos.6. Vacinas a serem produzidas a partir de células humanas e não de células animais.7. Governos a assegurarem a rápida implementação destas medidas.” (in, http://campus.fct.unl.pt/afr/ipa_9900/grupo0055_natureza/corpo.url.htm#Bibliografia2)
Hoje em dia, as alternativas aos testes em animais são mais rápidas no que respeita à obtenção de resultados e, economicamente, representam uma fracção dos custos dos testes em animais, possibilitando resultados muito mais fiáveis, pois não embatem em diferenças entre espécies que dificultam a extrapolação (dos animais para os humanos) dos resultados.
Os métodos alternativos de pesquisa e teste incluem:
1. estudo das populações humanas;
2. utilização de voluntários;
3. estudo de doentes;
4. técnicas “in vitro”, genéticas e informatizadas.
E para além destas medidas impõe-se a participação activa dos cidadãos. Como?
1. Comprar sempre produtos cruelty free, ou seja, não testados em animais (convém que constem da lista da BUAV ou da PETA – acessíveis na Internet -, pois não basta que as marcas digam que os produtos finais não foram testados em animais. Não asseguram o consumidor de que os ingredientes também não foram).
2. “Devemos ainda escrever cartas aos laboratórios e instituições, exigindo que utilizem e investiguem métodos alternativos.”(idem)
3. É bom também averiguar se os canis doam animais às empresas, e, em caso afirmativo, alertar as autoridades e, sobretudo, protestar!!
Em 2004, foi aprovado no Parlamento e Conselho Europeus a interdição de testes de cosméticos em animais prevista a partir de 2009.
“A directiva de cosméticos, que deverá alterar a legislação de 1976, prevê a interdição da prática de experimentações em animais para ingredientes ou combinações de ingredientes utilizados na indústria cosmética, quando existem métodos alternativos de testes válidos”. (Animal)